Segunda-feira, Maio 01, 2006

40 anos sem carreira

Cheguei aos 40 começando a compreender sobre a importância de várias coisas, entre elas, uma carreira. Dedico este artigo àqueles que, como eu, estão vivenciando um momento de virada em suas vidas. Para o melhor, eu espero.

Vou fazer um resumo da minha vida profissional: formei-me em 1989 em Comunicação Visual e Desenho Industrial pela PUC do Rio de Janeiro. Pra quem não conhece, esta é uma das universidades de ponta do país.

Sabia que era hora de trabalhar; procurei empregos na área da única forma que achava ser possível: classificados de jornal. Pouquíssimas oportunidades surgiam e comecei a ficar desesperançoso. Aí, minha irmã - cuja área é turismo - me apareceu com uma oportunidade para trabalhar como recepcionista de hotel. E lá fui eu. Na minha cabeça trabalhar era importante, mas nem pensava em fazer uma carreira, mais por ignorância do que qualquer outra razão. O tempo foi passando e eu me acomodei. Gostava de trabalhar em recepção de hotel, gostava de praticar as línguas estrangeiras que sei e tudo estava bom. Sem me esforçar muito, rotineiramente olhava os classificados de domingo a procura de uma vaga para programador visual.

Em 1995 adquiri meu primeiro computador, um Mac, o "computador dos designers". Na época eles eram difíceis de comprar por aqui, então a opção foi ficar com um usado. Essa aquisição me dava a sensação de estar mais perto de encontrar um emprego como programador visual. Soa tolo, mas...

Enquanto ia entendendo a máquina, seu funcionamento e aplicativos, continuava trabalhando em turismo, passando de um hotel a outro. Por essa época começou o fenômeno dos BBS's, sistemas de troca de mensagens on line, e fiz novos amigos. Algum tempo depois a internet tornou-se conhecida pelo grande público e rapidamente abri minha conta em um provedor de acesso. Foi uma experiência estranha, pois ainda não compreendia bem a utilidade dessa rede global que estava tomando forma.

Levei algum tempo para perceber que algo não estava indo bem na minha vida profissional. Dentro de mim algo dizia que podia fazer mais do que fincar raízes nas recepções dos hotéis.

Ainda buscando nos classificados dominicais o emprego que desejava, encontrava eventualmente uma oportunidade que não me dava retorno. Acredito que o fato de estar formado há 5 anos e não ter experiência me prejudicou.

Meus estudos prosseguiram e a web ficou mais evidente através dos navegadores. Acho que o primeiro que utilizei foi o Netscape e então percebi a oportunidade que eu procurava para voltar ao mercado na minha área: criar páginas para internet. Estava em pé de igualdade com qualquer outro, pois poucos sabiam mexer com computadores e internet.

Comecei aprendendo HTML e logo surgiram os primeiros editores visuais de código. Programa de edição de imagem, de desenho vetorial e outros. Dediquei-me a aprendê-los o mais rápido possível. Lá por 1997 utilizei uma estratégia simples para divulgar meu nome: enviei um e-mail para vários provedores de acesso a internet da cidade.

Estava trabalhando como agente de atendimento a passageiros no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro nessa época e, coincidência ou não, consegui uma oportunidade em um pequeno provedor cujo dono era ligado a aviação. Foi uma espécie de estágio e fiquei lá por cerca de dois anos. Meses depois ele fechou e alguns clientes de lá entraram em contato comigo para que eu os continuasse atendendo.

Lá pela segunda metade de 1999, após compreender que a vida no turismo não era minha verdadeira praia, lancei mão mais uma vez do e-mail marketing em busca de algo diferente. Exausto do aeroporto pedi as contas e alguns dias depois fui chamado por uma das empresas que havia contactado.

Dia 31 de dezembro de 1999 - uma sexta - deixei o aeroporto para iniciar no dia 3 de janeiro de 2000 em um provedor de acesso como webdesigner. Fiquei lá por 6 meses até que surgiu uma nova oportunidade em uma agência digital de médio porte que atendia a grandes empresas. Nessa hora realmente me senti no mercado. Continuei estudando, pesquisando, mas ainda não havia entrado em contato com a idéia de ter uma carreira. Lia algumas publicações sobre empreendedorismo e não conseguia ver como aplicar aqueles conceitos a minha vida. Deixei-me acomodar.

Saí desta empresa em 2003 após um corte de pessoal e não estava preparado pra isso. Quem está? Bateu uma depressão, fiquei perdido, voltei a ler os números antigos daquela publicação sobre empreendedorismo, até que finalmente entendi: era hora de investir em minha carreira! Mas...O que fazer? Como fazer?...

Houve um elemento pelo qual me deixei atrapalhar mais do que deveria: preciso trabalhar para viver. Por essa razão, tive medo que ao perseguir meus ideais eu passaria necessidades, ou seja, teria que escolher entre ganhar dinheiro ou perseguir meus ideais. Essa escolha não era real. Uma questão organização e tudo estaria resolvido.

Eventualmente surgiram uma oportunidade em outra agência digital e, posteriormente, outra na UERJ, pelas quais me deixei acomodar mais uma vez. Paguei um preço alto por isso, mas talvez se as coisas não tivessem acontecido assim, hoje não teria objetivos mais clarificados na minha mente. Cheguei a 2004 e as sementes de fazer uma carreira começaram a brotar. Nesse momento fiz uma avaliação geral da minha vida, a forma como a estava levando e cheguei a conclusões que me surpreenderam! Vi que era hora de fazer mudanças, procurar novos caminhos e entendi a importância de investir em uma carreira. Aos poucos comecei a montar um quebra-cabeças que nem sabia existir.

Desde que saí da UERJ tenho trabalhado apenas como autônomo. Financeiramente, tenho levado uma vida franciscana, se vocês me entendem, mas tenho feito vários movimentos que poderão me dar um bom retorno no futuro. Estou aprendendo algumas lições importantes. Talvez por ter levado algum tempo para aprendê-las, minha carreira profissional tomou tanto tempo para tomar um rumo. Estou em uma fase de projetar. Sonhos e idéias se misturam. Tenho consciência de que já cheguei a meia-idade, ou seja, não posso perder tempo com escolhas equivocadas.

Sinto-me começando aos 40. Não é uma segunda ou uma nova profissão, um recomeço ou um plano B. É um início, um caminha que já estava a minha frente e sobre o qual ainda não tinha dado os primeiros passos. Minha intuição diz que estou fazendo a coisa certa.

E eu acredito nela.

Terça-feira, Julho 26, 2005

Pesquisar, estudar, viver...

Pois é, são tantas descobertas que estou fazendo que tenho a impressão que o tempo não vai dar e eu, que quero ser uma esponja de conhecimento na área de design, estou deixando passar ótimas oportunidades.
Porém...
Ser um bom profissional exige que se saiba pesquisar, estudar e viver, pois assim me torno uma pessoa completa. Não é uma questão de ter o emprego que paga mais, de ter alguém ao seu lado, de achar que a proteção da mesa da empresa ao lado é mais verde. É simplicidade.
É o que estou aprendendo. Tenho uma personalidade um tanto megalomânica e isso me atrapalhou bastante na vida. A tempo, percebi que estava mais do que na hora de mudar e o caminho que estou seguindo é esse: pesquisar, estudar e viver.
E essa é uma grande, se não for A tendência: simplicidade.
O ser humano sofre: problemas emocionais começam na mais tenra idade. Fazer algum tipo de terapia é quase questão de vida ou morte - mesmo! Cuidar da cabeça é primordial.
Ontem descobri Melinda Davis, co-fundadora do The Next Group, uma empresa que pesquisa o mercado e tendências. Recentemente ela esteve em Belo Horizonte para uma palestra no BH Fashion Music, parte do Oi Fashion Tour, que também vai rolar em Salvador e Recife.
A Srta. Davis apresentou os resultados das pesquisas de seu "Projeto do Desejo Humano" (The Human Desire Project) e seu livro "A Nova Cultura do Desejo", que detalha o comportamento dos consumidores nos próximos anos.
Bem, ainda não tive a oportunidade de comprar esse livro, por falta de $tempo$, mas o pouco que consegui pescar na internet já ME pescou!
Melinda acha que estamos sobrecarregados de informação e defende a estratégia “Yoda” de marketing, ou seja, uma compreensão global de nossos anseios. As marcas mais bem-sucedidas atualmente vão evoluir para a categoria múltipla da “marca Yoda”. As empresas Virgin, de Richard Branson, representam isso. Branson não negocia um produto em particular e sim uma visão do universo: ele vende passagem aérea, serviço telefônico, DVDs, CDs, vestidos de noiva — e, brevemente, viagens espaciais — dentro de um “universo Yoda”.
Curioso? Então vai lá: pesquisa Google!

Segunda-feira, Julho 18, 2005

Definições...

Tendência é o acto de optar por algo; uma escolha entre várias alternativas; ou, uma vontade natural, irreflectida, subconsciente, que se transforma em comportamento com ou sem a devida consciência do indivíduo.

A palavra digital deriva de dígito, que por sua vez procede do latim digitus, significando dedo.

Desde que a humanidade desenvolveu o processo de contagem, os dedos foram os instrumentos mais simples e eficientes para contar pequenos valores. O sistema de numeração indo-arábico, o mais usado atualmente, é um sistema de base dez, pois são dez os dedos das duas mãos da maioria dos seres humanos. Muitos outros sistemas de numeração usam a base decimal, pois serviam para simbolizar a contagem com os dedos.

Normalmente com os dedos só é possível contar valores inteiros. Por causa dessa característica, a palavra digital também é usada para se referir a qualquer objeto que trabalha com valores discretos. Ou seja, entre dois valores considerados aceitáveis existe uma quantidade finita de valores aceitáveis.

Digital não é sinônimo de eletrônico: por exemplo, o computador eletrônico pode ser chamado de digital porque trabalha com o sistema binário, que é simbolizado por uma sequência finita de zeros e uns, qualquer que seja o tipo de dados.

Hoje em dia, porem, não se consegue desvincular a palavra Digital do sistema informatico e tecnologias ligadas a computação, como, por exemplo, "transmissao digital".

Definições retiradas de Wikipedia.

Quarta-feira, Julho 13, 2005

O Império do Efêmero

Mais uma vez iniciei a leitura deste livro de Gilles Lipovetsky.
Ele trata da moda e seu destino nas sociedades modernas. O foco do livro é a moda no vestuário. A linguagem é complicada e tenho que ler com o auxílio do Aurélio. Apesar disso, o livro é altamente interessante.
Eu já havia iniciado sua leitura há algum tempo atrás, por sugestão de Denise Portinari, professora da PUC-Rio. Desisti. Agora, sinto que o momento está mais propício para a leitura, pois tem a ver com a minha pesquisa de tendências e meu estudo de história da arte.
Ali vejo a base que necessito para prosseguir e sinto-me motivado para lê-lo agora.

Quarta-feira, Julho 06, 2005

Cadê a Tendência Digital?

Vocês devem estar se perguntando. Pois é, esse blog tem o objetivo de marcar o caminho para projetos futuros. No momento, para eu me sentir a vontade para falar de tendências digitais, percebi que tenho que ir mais a fundo e ter embasamento para o que vou dizer.
Como designer, este embasamento está na história da arte, uma viagem que entrei e agora não tem mais volta. Espero compartilhar de sua companhia nesta jornada.

Arte, que bicho e' esse?

Segundo o blog de Daniela Hollanda:
"Tekhné" significa "arte" em grego, conforme Isidro Pereira, S.J, em seu Dicionário grego-português, português-grego, p. 764. Para os gregos, artes eram as técnicas que eram passíveis de transmissão. Ou seja, existia a arte da medicina, a arte da retórica, enfim, várias. Não é como entendemos hoje, que artes são só as associadas às artes visuais, ao teatro, dança etc.
O que tenho percebido em meus estudos de história da arte é que a noção atual que temos é bem recente. De quando, ainda não consegui precisar.
Estou no final do período grego. Tudo que vi me parece terem sido serviços que foram solicitados pelas mais diferentes razões. Até quando vai isso?

Terça-feira, Julho 05, 2005

sIFR

Quer dizer "Scalable Inman Flash Replacement" Tradução? Não me pergunte. Até agora não entendi o que quer dizer "inman". Será uma pessoa? Bem, de volta ao sIFR.
É uma tecnologia criada por Mike Davidson. Em resumo, consegue-se repor todo o texto HTML por uma versão em Flash, utilizando a capacidade deste de apresentar a fonte que o designer escolheu! A vantagem e que o texto permanece selecionável. sIFR talvez seja a evolução do CSS.
Ainda não mexi com isso, mas minhas fontes já apontam sIFR como a grande tendência para os anos vindouros. Aparentemente é fácil de usar. Vou pesquisar mais. Trarei novidades.

A Arte Comentada

De Carol Strickland. Esse livro veio as minhas mãos através de um amigo. Ainda não tive a oportunidade de lê-lo, mas ao folheá-lo percebi ser um artigo bem interessante. Carol vai nos apresentando a história da arte através de tópicos, ressaltando os artistas e obras mais importantes de cada período. Já está na minha lista de compras.

Quarta-feira, Junho 29, 2005

"Ser primitivo é o mesmo que ser contemporâneo"

Mário Pedrosa disse isso. E o que quer dizer? Pra responder essa pergunta, estou percorrendo o caminho: estou estudando história da arte.
Formei-me em Comunicação Visual e Desenho Industrial na Faculdade de Artes da PUC-RJ. Na época não tive paciência ou vontade para me dedicar a esse estudo mais profundamente. Parece vergonhoso, mas o importante é que estou tomando uma atitude diferente.
Estou lendo e estudando História da Arte de E.H.Gombrich. Talvez seja o momento (maturidade?), mas é a primeira vez que pego um livro desse tipo e não começo a bocejar. No momento estou na Grécia, entendendo a diferença entre colunas dóricas, jônicas e coríntias. Gombrich coloca tudo de forma tão simples e didática que estou sentindo o aprendizado fluir.
Voltemos a Mário Pedrosa. Ele foi um crítico de arte e foi um dos "criadores" do Neoconcretismo, um movimento que ocorreu aqui no Brasil pelo final da década de 50.
Minha impressão é que esse movimento tem grande influência no design atual, mas é algo que preciso pesquisar para ter certeza. O pouco que li de Mário Pedrosa aponta para esse caminho. Estou começando apenas. Quer caminhar comigo?